segunda-feira, 27 de abril de 2015

inveja

Gostava de ter o jeito para as artes da Mexicola Girl, a ironia requintada do monsieur Pipoco, a profundidade da Dias de Telha, a piada do André, a capacidade de mobilização da Pólo Norte (que usaria, obviamente, para o mal) as fotografias da Hula , a comida da Tracy, o bom gosto da Bleubird. Também gostava de ser um bocadinho como a Amy Schumer e escrever com tanta graça como a Tina Fey mas infelizmente só me saem asneiras.

Body shaming ou deixem-nos em paz

Uma publicidade da Protein's World que perguntava se já temos o corpo pronto para a praia (Are you beach body ready?), ilustrado por uma boazuda de biquini, irritou os transeuntes e utilizadores do metro. Rapidamente os cartazes começaram a aparecer riscados e com respostas óptimas de quem não leva merdas para casa. Esta puta desta mania de tentar envergonhar o comum dos mortais dizendo-lhe que não é suficientemente bom ou porque não tem corpo de manequim, ou porque tem ondas no cabelo, ou porque não corre, ou porque bebe leite, ou porque come hidratos, ou porque não tem pestanas até às sobrancelhas, ou porque não tem o abdómen aos quadrados, ou porque não pinta o cabelo, ou porque tem as mamas pequenas, ou porque é careca, ou porque. Agora nem para ir à praia se presta, segundo a empresa de merdas para perder peso que é a Protein World. 
A resposta que mais gostei foi a de duas manifestantes que pousaram em biquíni, com o corpo que deus lhes deu, com celulite e barriga e flacidez porque o corpo não é feito de borracha para grande desgosto de alguns milhares de pessoas, ao pé do cartaz publicitário acompanhadas por uma simples frase: "How to get a beach body: get your body to the beach". Fuck yeah.
A cambada de filhos de um comboio de putas que gere a Protein World respondeu no twitter coisas como "and it's ok to be fat and out of shape instead of healthy?" entre coisas piores. Como se aquela merda de anúncio apelasse à saúde e não à aparência e beleza. Como se ser gordo ou ter mais quilos do que é socialmente aceitável fosse o oposto de ser saudável. Foda-se.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Digam adeus às pernas peludas - 25 de Abril para sempre



Pernas peludas? O que é isso? Cera? Horas infinitas de máquina em punho para aniquilar o pelame inestético? Desconheço. Desde que o laser alexandrite entrou na minha vida que deixei de ter essas preocupações. E sabe deus como eu preciso de reduzir as preocupações na minha vida. Os pelos até podem parecer coisa fútil e sem importância mas não são. Porque já me basta as minhas mamas terem desaparecido depois da maternidade e a barriga ter aumentado, não preciso de ter as pernas alcatifadas para acabar com qualquer possibilidade de ir à praia. Vinde a mim, alexandrite.
Ora o 25 de Abril deu-nos muitas coisas boas e este ano também dá 25% de desconto na Ultimate Laser nas sessões agendadas até ao fim do mês. Corram, corram como o vento porque não ter pelos nas pernas (e quem diz pernas diz axilas e virilhas e buço) é meio caminho andado para se sentirem mais bonitas e para ganharem uma das mais preciosas coisas desta vida: tempo.

Para usufruir desta promoção basta referir o código “O blog do desassossego – 25 de Abril” e agendar uma sessão (efectuada até 30 de Abril) com a Ultimate Laser, em LISBOA ou no PORTO, através do 915 819 797 ou do endereço info@ultimatelaser.pt

Lisboa - Av. da Liberdade nº 244, 2º andar
Porto - Edifício Capitólio, Av. de França, nº 256, 2º - Escritório 2.7 NOVA MORADA

Facebook da Ultimate Laser aqui


Promoção válida para sessões agendadas até ao dia 30 de Abril de 2015. Promoção não acumulável com outras promoções eventualmente em vigor. 
A tabela de preços está aqui e cada preço corresponde a uma sessão. O número de sessões necessárias é variável porque depende do tipo de pêlo, o contraste entre a pele e o pêlo, mas a média é de seis sessões. 
Mais info e explicações sobre o laser alexandrite, aqui



segunda-feira, 20 de abril de 2015

A longa e difícil jornada de um comprador de lâmpadas*

Uma pessoa sai de casa para comprar uma lâmpada de 40 watts e meia hora depois de chegar à loja ainda não conseguiu. Há lâmpadas de 57 watts (57?) mas que na verdade iluminam como se tivessem 67 (wtf?), há LEDS e mais aquelas porras de luzes económicas que demoram vários segundos a atingir a sua plenitude. Parecem velas quando se acendem e o que eu quero é uma lâmpada, plamordedeus, a electricidade é rápida, caramba. Dantes olhava para o bolbo e percebia quando a lâmpada estava fundida, via-se aquele filamentozinho partido, adeus lâmpada, agora são todas opacas, sabe deus se estão fundidas ou só preguiçosas, vai de ir à loja comprar e vai de perder mais uma hora às voltas em busca da lâmpada certa, é um tempo que nunca mais volta. Quando é que uma coisa tão simples se tornou tão difícil?

*Para o JP

quinta-feira, 16 de abril de 2015

As crianças são pessoas horríveis*

Tem um narizinho pequenino, amoroso, tão fofinho. Uma boquinha delicada, de lábios bem desenhados, dentes pequeninos com um espacinho entre os da frente como eu quando era pequena.
Tem umas mãos e uns pés pequenos que me dá vontade de os comer, umas perninhas de alicate macias e umas costas e ombros que me comovem. E a pancita? Não há palavras para descrever. Os olhos enormes e redondos de pestanas compridas a olhar para mim, o sorriso malandro, os caracóis despenteados. Uma falsa. Acha que me pode conquistar só com os atributos físicos e com aquela voz pequenina que me enche o coração de alegria.

A minha filha é um monstro horrível que se está nas tintas para mim. Tanto se lhe dá se o meu braço está dormente de ficar pendurado na cama de grades porque a menina precisa de companhia para adormecer de todas as sete vezes que acorda de madrugada. Tanto se lhe dá se estou cansada, a morrer de sono, com frio ou dor de cabeça.

A minha filha quer lá saber se eu estou prestes a perder a paciência quando sou obrigada a repetir dez vezes que não, “não podes pôr a comida do cão no vaso da planta/bolsos/boca/chão/nariz”. Ri-se e continua a fazer disparates enquanto olha para mim, divertida, não sei se com o meu olhar incrédulo se com o meu tom avermelhado raiva.

A minha filha não podia estar-se mais a cagar para mim quando me chama a cada dois minutos e me diz “mão” que é código para “dá-me já a mão antes que desate a chorar mesmo que estejamos dentro de casa e não haja estrada para atravessar e estejas a tentar fazer o meu jantar/almoço/lanche.”
A minha filha não quer saber se ao fim de semana eu mereço preciso de um pequeno-almoço calmo a ler o meu livro enquanto enfardo as melhores coisas que consigo arranjar em casa às nove da manhã: ela quer ficar ao meu colo a enfiar os dedos nas minhas torradas e fruta e não há espaço para negociações. Nem para o meu livro. Ela faz de propósito quando aos dias de semana se recusa a acordar antes das 9h e ao fim-de-semana salta da cama às 7h30.

A minha filha não se comove com o sono que me ataca à tarde nem se deixa convencer com um “vamos fazer ó-ó as duas, na cama da mãe”. Grita “yoyo” que é código para Pocoyo e pede o iPad para ver os episódios e nem os olhos posso fechar porque ela passa o tempo a tocar no ecrã e a pôr aquela merda na pausa e depois não sabe carregar no play. Quer dar cambalhotas e atirar-se para cima de mim, encher-me a cara de baba porque acha divertido.

Ela quer lá saber se estamos atrasados para sair quando lhe pedimos para vestir o casaco e ela foge e diz que não e cruza os braços. O mesmo se aplica a pôr calças e meias, peças de roupa que ultimamente rejeita. Não podia estar-se mais nas tintas por ter transformado a hora de vestir numa espécie de wrestling patético alternado com tentativas desesperadas de a distrair, seja com canções infantis ou com histórias inventadas que metam as palavras “mamã, papá, cão, avô e avó”.
Ela não quer saber se me apetece mais ver o “Lei e Ordem, unidade especial” ou a “Miss Marple” do que a porra do Piggy, dos Heróis da Cidade, do Ruca ou a Ovelha Choné. Ou se não me apetece cantar pela 34ª nesse dia “a barata diz que tem…”.

Ela simplesmente não quer saber. Deve ser bom viver assim com total omnipotência. Pena que não se irá lembrar destes tempos quando for adolescente e esta sensação de omnipotência for substituída pela de impotência face à tirania parental, castigando-nos com esgares de desdém e olhares acusatórios até quando espirro. É que mal posso esperar.

*publicado no A Mãe é que Sabe


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Alice Vieira

Desde pequena que passo muito tempo em casa. Sempre troquei a rua e as brincadeiras com os outros meninos pela segurança das paredes de casa e pela companhia dos meus avós.
O que os meus amigos confundem com velhice precoce, ao chamar-me avó porque não gosto de sair, é na verdade uma enorme tendência anti-social, falta de paciência para os outros, desconforto no meio de muita gente. Insegurança, mariquice.
Como passava muito tempo em casa, e uma pessoa também não nasceu para meditar e atingir o Nirvana, lia muito. Desde que aprendi a fazê-lo que nunca mais parei. A primeira vez que li um livro de Alice Vieira fiquei triste. Não me lembro que livro era mas lembro-me da sensação de tristeza. Hoje sei que não era tristeza, era uma emoção tão forte, um misto de admiração, alegria por ter descoberto um livro assim, o desejo de um dia escrever tão bem como ela, contar histórias tão bonitas. Confundi com tristeza o sentimento mais forte que tenho, e aquele em que se transformam as minhas emoções quando me vejo assoberbada. Mesmo que seja uma onda de alegria, transforma-se sempre em tristeza e dor. Não sei porquê.
A Alice Vieira viveu muitos anos no meu quarto, nas minhas prateleiras, até eu sair de casa e a deixar ao cuidado da minha mãe. Lembro-me uma vez em que fui à feira do livro e ela lá estava a autografar os seus livros. Não tive coragem de lhe pedir que me autografasse o meu. Não consegui chegar-me ao pé dela nem dizer-lhe que ela era tão importante como os meus pais, naquela altura da minha vida.
Há uns poucos anos tive a sorte de a entrevistar. Uma entrevista de vida que me encheu o coração de alegria que desta vez não se transformou em dor. Alice foi suficientemente generosa para partilhar comigo a sua vida, a sua casa, alguns segredos e tantas gargalhadas que nem parecia trabalho. Como bónus ainda recebi um postal, escrito por ela, a agradecer-me. Tinha gostado do resultado final do meu trabalho. O fotógrafo que foi comigo sabia da minha admiração e tirou-nos uma fotografia juntas. Eu muito alta, ela muito baixinha, as duas a sorrir, eu com alguma vergonha, ela na boa. Não sei o que foi feito dessa foto.
Quando a Pólo Norte me convidou para ir à tertúlia com a Alice Vieira, no Bairro do Amor, fiquei tão feliz que liguei à minha mãe a pedir-lhe que metesse num saco todos os meus livros dela. Já lá estão, no saco, à espera de um lugar lá em casa. Anos e anos depois vamos voltar a viver juntos. Quero-os por perto para depois os passar à minha filha, assim mesmo, de páginas amareladas e ligeiro cheiro a mofo e pó. Dia 18 de Abril, às 10h, lá estarei. Quem sabe se desta vez tenho coragem para lhe pedir um autógrafo.





terça-feira, 7 de abril de 2015

O mundo está cheio de merdas sem jeito nenhum

- Horários de trabalho: o rendimento deveria ser contabilizado através de objectivo diários. Não importa se alcançados em cinco ou em duas horas. Pessoas com mais tempo = pessoas felizes = mais e melhor produtividade.
- Sapatos de plataforma. Por favor parem de os ressuscitar.
- Calças de cintura descaída. Não há palavras para explicar a péssima ideia que isto foi (e ainda é).
- Corridas.
- Granola. Onde é que aveia tostada, com frutos secos e sementes de pássaro é bom? Só os hamsters gostam dessa merda. Ao menos cozam a aveia em leite, açúcar, canela e uma casca de limão e faz de conta que estão a comer arroz doce.
- Sumos verdes. Digam à minha avó que couve crua é que é bom e vão ver o que acontece.
- Meias com dedos. Somos gueixas, é?
- Griponal, C gripe e fins. Metam-se na cama e tomem Benurons.
- Seitan. É pão, mas em horrível.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Esta coisa das corridas está a dar-me cabo dos nervos

Não aguento mais fotos de corridas, de percursos, selfies transpiradas, número de quilómetros percorridos, Lisboa à noite, com chuva, sem chuva, com rio, sem rio. #derepentesomostodosatletasmasganharmedalhasasérioéocaralho

terça-feira, 31 de março de 2015

Como os meios de comunicação protegem os homens do período, mamas com leite e pêlos no corpo

Uma artista indiana/americana, poetisa e afins, publicou no Instagram uma foto sua onde se vê uma mancha do período nas calças e na cama.  Essa foto faz parte de uma série de imagens que Rupi Kaur tirou de momentos relacionados com a mestruação, desde dores de barriga, a ter de mudar o penso na casa de banho. As fotos são lindas e basicamente mostram uma coisa pela qual todas as mulheres deste mundo passam uma vez por mês. Ora o Instagram achou que a foto violava os termos e condições da rede social e apagou a foto. And all hell broke loose. Rupi, que ficou aborrecida,  respondeu à altura e tocou num ponto assustador: fotos de mulheres ou de miúdas menores em roupa interior e poses sexys, de mamas quase de fora e pipis depilados, é ok. Pequenas manchas de período nas calças e cama, não, que nojo.
Este artigo diz tudo: "Os homens cresceram a acreditar, graças à cultura pop e à publicidade, que os corpos das mulheres existem para eles e se tiverem que ver um corpo de mulher que não seja magro, sem pêlos e pronto para ter sexo - tragam os sais de cheiro."
O pior é que acho que muitas mulheres não pensam nisto. Não lhes ocorre. Esta forma de repressão, de misoginia e desrespeito pelas mulheres está tão enraizada que as próprias mulheres condenam e criticam este tipo de imagens. E fico com pena porque tenho a certeza de que se nos uníssemos, se fossemos gentis umas com as outras, solidárias, bondosas, irmãs, podíamos mandar nesta merda toda e acabar com esta brincadeira. Somos mais, somos tantas. E, no entanto, mais depressa chamamos porca ou puta à colega do lado do que a defendemos se alguém lhe fizer mal.
O Instagram pediu desculpa depois de muitos protestos. Muitas mulheres se uniram e juntaram a sua voz à de Rupi e juntas conseguiram que o Instagram voltasse atrás na decisão inventando que foi tudo um mal entendido.
"As for the people who are scandalized by women’s bodies and their natural functions: You don’t have to “like” it, but you will have to live with it."

sexta-feira, 27 de março de 2015

Vencedora do passatempo La Redoute

A felizarda que vai levar para casa um conjunto bonitão dos meus é............ (rufar de tambores) a Inês Ferreira! Parabéns, pá. Fica atenta à tua caixa de entrada, sim?