terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eu também faço crítica de cinema #3

O Birdman é espectacular. Es-pec-ta-cu-lar. Michael Keaton a fazer de mau actor não sendo ele também o melhor do mundo, é incrível.
A Teoria de Tudo é um filme amoroso. O miúdo é fixe, vai muito bem.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Não foste o primeiro mas és o último

Não sei se foram os óculos, os caracóis cheios de brancos ou a t-shirt cor de laranja. Não sei o que me levou a olhar para ti, logo no primeiro dia, e pensar que se calhar eras tu. Eu ainda meio coxa, estava calor, e o trabalho novo era tão novo e tão bom. Estava tão feliz e foi assim feliz que te conheci. Se soubesse o que sei hoje tinha-me sentado ao teu colo e nunca mais te largava mas foi preciso um ano, ou dois, não sei, tu é que és bom com datas. E com o stress. Eu fervo em pouca água e tu baixas logo o lume com calma e com calma dizes-me que vai correr tudo bem. Vês sempre o outro lado das questões e explicas-me com muita paciência que se calhar não é bem assim e que vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem, claro que sim. Falas muito alto e eu digo-te que estou mesmo ao teu lado, ouço-te perfeitamente, caramba, não grites. Mandas-me canções que achas que vou gostar com declarações de amor inesperadas e dizes que estou cada vez mais bonita. Mesmo de pijama polar. Poder ser eu sempre, sempre, sem inventar nada, sem disfarçar, sem ter medo que saias a correr, sem fingir que sou muito mais interessante do que sou, é do caralho e a culpa é tua. A nossa filha tem as tuas pestanas e a tua alegria, infelizmente não parece ter herdado a tua ponderação e coordenação motora, é um pequeno tractor desgovernado como a mãe mas o que vale é que tem um pai como tu que a vai ajudar. Olho para ti e nem acredito na sorte que tive, mesmo quando me explicas o funcionamento do universo (diz-se funcionamento?) que eu esqueço passados cinco minutos. Mesmo quando me dizes entusiasticamente "o Benfica ganhou". Dizes-me "para ti tudo, contra ti nada" e eu sei que é mesmo verdade e o meu coração é todo teu, todo. E tu ris-te se às quatro da manhã decido tirar o cobertor da cama porque tenho calor e não protestas quando passados dez minutos me arrependo e volto a pô-lo, ajudas-me e não dizes nada. Às vezes dizes coisas sobre mim que nem eu tinha pensado e tens razão (tens quase sempre) e eu sinto-me a pessoa mais importante do mundo. É isso: contigo, sinto-me a pessoa mais importante do mundo. E quando souberes que enquanto escrevo isto o Spotify decidiu começar a tocar o pirosíssimo Sweet Caroline do Neil Diamond, vais rir-te e dizer "foda-se" e eu vou responder "não digas asneiras, olha a miúda".

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"É filme para se ver no cinema"

Estão sempre a tentar convencer-me de que ir ao cinema é uma experiência incrível e que há filmes que só devem ser vistos em salas escuras, com o som demasiado alto, um écrã gigante e um monte de pessoas que não conheço de lado nenhum em vez de o aproveitar em casa, no meu sofá, de manta nos joelhos, a comer o que eu quiser, a parar quando eu quiser para ir à casa de banho ou fumar, o meu marido como única companhia (com quem posso comentar o filme, apesar de nunca me responder), o controlo do volume em meu poder e um écrã que eu consigo ver sem ter de mexer os olhinhos. E sem ter de pagar 6€ e levar com publicidade. Vamos lá ver se nos entendemos: para mim não há um único filme que valha a pena ver no cinema. Há só filmes que valem a pena e outros que não.

Eu também faço crítica de cinema #2

O Whiplash é óptimo, J.K. Simmons é do cara*** (e tem uns bons braços) e a banda sonora também, para quem gosta de jazz. Para quem não gosta, como eu, a banda sonora é boa na mesma.
O Big Hero 6 é muito fixe. Muito.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Outra vez a Carolina

A maternidade é lixada, faz-nos imaginar se determinadas situações fossem connosco, o "e se" repete-se na nossa cabeça descompensada de mães cegas de amor, passamos a vida a pôr-nos no lugar dos outros. Eu já fazia isso com séries imagine-se com a vida real. Como cantava o não sei quantos no genérico do 1º Big Brother "tudo pode acontecer".
Quando se escreve com o coração na boca e a indignação mesmo à mão de semear, dois problemas que me afectam em grande escala, às vezes o pensamento tolda-se-me e não vejo a big picture. Inseri aqui uma expressão inglesa porque além de ficar bonito não me lembro da expressão em português. Panorama geral? Bah.
Não vou justificar as ajudas ou não ajudas que foram dadas à Carolina e à família, se foi caridade ou solidariedade. Se foi mal feito ou bem feito. Não sei o que foi, sei que foi de coração, um coração meio enlouquecido e ainda com ocitocina a mais. Mas às vezes as boas intenções não são feitas da melhor maneira, mas é o que há, miúdos. Antes tentar do que ficar em casa. Dizer mal e apontar o dedo quando não se fez um cú, é fácil como o caralho e seguro. Por isso, não me fodam. Para quem se interessa, as coisas estão encaminhadas e neste momento há para aí 352 técnicos a trabalhar com a família. Se desta não resultar (culpa da família), caguei. Que até para um coração drogado com hormonas do amor há limites.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Lembram-se da Carolina?

Lembram-se da menina que foi atacada duas vezes pelos mesmo bandidecos cujos pais não lhes deram estalos suficientes? Bandalhos nojentos que demoraram um ano a ser presos? Esta Carolina?
A Carolina mudou de casa depois de muitas pressões. Não está muito melhor: puseram-na num bairro (e num prédio) onde vivem muitas pessoas da mesma etnia dos seus atacantes - mesmo depois de ter sido explicado 450 vezes que isso seria um grave problema - e Carolina não consegue deixar de ter medo. Tem tanto medo que a mãe tem de ficar à porta da escola à espera que as aulas acabem, o dia todo. Carolina está muito magra e já foi parar ao hospital. Dorme com a mãe porque senão não dorme de todo. Foi-lhe prometido um quarto novo, naquela onda da generosidade inicial, quando eu e a Pólo Norte fizemos posts a pedir ajuda, mas até agora só uma cama chegou à Carolina. O resto dos móveis e da decoração estão em parte incerta.
Valeram os electrodomésticos e as muitas encomendas cheias de coisas para a Carolina. A alegria que trouxe à família foi bonito de assistir e os agradecimentos  repetiram-se por muitos dias, com a mãe da carolina a chorar e a desejar que deus nos abençoasse a todos. Mas o problema está longe de ser resolvido e não vejo forma da Carolina voltar a ser uma menina feliz.
Os pais da Carolina ainda não trabalham porque o filho mais novo está à espera de ser chamado para o infantário há meses sem fim e não há mais ninguém que possa tomar conta dele e a carolina não pode ser deixada sozinha. Está a ser vigiada neste momento porque nem 40 quilos pesa e porque já tentou acabar com a própria vida.
A família está sozinha e abandonada à sua sorte, desejosa de poder trabalhar, desejosa de poder respirar e mesmo assim arranja coração para me mandar mensagens de feliz natal e bom ano.
Vou fazendo o que posso, pelo menos é o que digo a mim mesma para me sentir menos culpada.
Escrevi uma carta para enviar para uma outra câmara municipal a pedir alojamento, em nome da mãe da Carolina. O email ainda não seguiu, é a mãe que tem de enviar, mas nem para isso teve tempo. Viver todos os dias com medo pela filha deve ser difícil de suportar.
Disse-me ela que não era justo que fossem eles a sofrer. Que fossem eles os obrigados a sair da pópria casa, a deixar tudo o que conheciam para serem postos num sítio igualmente mau. Recusaram uma casa na margem sul porque era demasiado perto do drama e mesmo do outro lado do rio vieram parar a um bairro cheio de familiares dos bandidos. O sistema, seja lá o que isso for, abandonou-os. Arranjou a casa, num sítio bastante mau, cuja casa de banho está sempre a inundar e cujas portas das divisões fecham de tal forma que já tiveram de ser arrombadas, e lavou as mãozinhas. Processo arquivado.
Devíamos poder escolher para onde vão os impostos que pagamos: quer ajudar uma família com dificuldades ou contribuir para o ordenado de uma das estrelas da RTP? Quer dar x por ano a uma criança carenciada ou prefere que o seu dinheiro seja enterrado na TAP ou na salvação de um banco?
A Carolina continua a precisar de ajuda e eu já não sei o que fazer.

Ponham os phones, carreguem no play e aumentem o som


domingo, 11 de janeiro de 2015

Eu também faço crítica de cinema

Comecei a ver "The imitation game". Não vou acabar.
Julianne Moore é a nova Meryl Streep mas em ruivo. "Still Alice" fez-me chorar tipo bué.
"Dumb and Dumber 2" é tão estúpido como o primeiro e por isso é que é tão bom e tão mau. Detesto-os, adoro-os.
Para a semana há mais.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Raquel Varela curte bué falar mal

E eu até gosto disso - só acho que tem de ser com piada e isso não é para todos, Raquel incluída. Mas chamar pirosa à dona Dolores e suburbano ao Passos Coelho, acusando-o de usar fatos de alfaiate de segunda e depois apresentar-se assim na televisão, tira-lhe a razão toda. No programa de 5 de Janeiro está ainda pior, toda ela lilás - sombra dos olhos incluída - mas infelizmente o programa ainda não está disponível no site da RTP. Damn. Esta mulher adora roxos e seus derivados. E acessórios. Bué deles ao mesmo tempo.





segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Indecisões

Às vezes não sei o que anseio mais: a reforma ou uma terra apocalíptica, como os filmes futuristas mostram.