quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Libertem o glúten

Deixem o glúten em paz. A menos que sejam celíacos, claro. Deixem-se de "intolerâncias". Deixem-se de merdas. Pelo caminho digam aos defensores da dieta paleo que eu lhes mando uma bofetada na nuca. Tenho quase a certeza que o homem das cavernas não era um exemplo a seguir. Ao menos vão até ao fim: comam a vossa carne crua, roendo-a dos ossinhos da bicharada ainda a mexer, peguem nos vossos parceiros pelos cabelos e andem nus. Já que acham essa merda assim tão fixe.
Tenham juízo e comam mas é tudo, com conta peso e medida, está bem? Que maçada.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Paranóica - que título de merda

A maternidade deu-me muitas coisas. Aqueles clichés todos, que recompensa muito e tal, as lágrimas fáceis, a vontade de engolir a miúda porque às vezes não aguento o quão amorosa ela é.
Mas a maternidade deu-me, principalmente, uma bela dose de paranóia e pavor, reforçado pela minha passada experiência profissional em programas de televisão e pelo consumo excessivo de séries de crime.
Todos são potenciais tarados, predadores, assassinos ou simplesmente loucos. Se olham para ela e sorriem, se não olham para ela, se passam por ela ou se tentam brincar, se falam com ela. Mato-os a todos com a mente.
Faço filmes na minha cabeça que acabam sempre mal e uma queda normalíssima transforma-se num drama cheio de consequências raras mas que eu sei que podem acontecer porque fui contaminada por dois anos a entrevistar pessoas a quem aconteceu tudo o que existe de mal no mundo e pelo CSI, Mentes Criminosas e mais um rol de séries que, como toda a gente sabe, têm sempre um fundo de verdade.
Há duas semanas a minha filha partiu a cabeça na escola. Caiu porque, coitadinha, sai à mãe e distrai-se com facilidade, nomeadamente enquanto anda ou corre acabando por tropeçar em qualquer coisa - às vezes no ar. Enquanto voava para a escola, imaginei um cenário de horror, que metia desmaios e vómitos e toda a espécie de desgraças. Quando uma ambulância passou por mim de sirene ligada pensei, pronto, é ela que ali vai. Não era. Levou dois pontos e está tudo bem.
A minha avó é que se benze cada vez que ouve uma sirene a passar à porta de casa e sempre achei aquilo muito estúpido e agora há um bocadinho de mim que percebe esta paranóia.
É que eu uma vez entrevistei uma senhora que teve um acidente de carro no qual morreu uma criança pequena, o horror, o drama.A senhora foi de ambulância para o hospital mas a meio do caminho despistou-se - a ambulância -  e ela ficou paraplégica. Eu sei que tudo pode acontecer, vi com estes olhos. Ajudem-me.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Conselhos para um Natal mais barato - mas não são meus

Tenho espírito de pobre. Estou sempre à procura de promoções, não perco a cabeça com (muitas) merdas que não preciso, não me importo com marcas, com excepção de alguns produtos específicos, quase não bebo álcool (poderá ser porque não saio à noite), levo marmita para o trabalho, não arranjo as unhas no cabeleireiro, até há pouco tempo pintava o cabelo em casa, mudei-me para uma casa cuja renda é mais baixa e estou sempre a vender coisas no OLX ou pelo menos cada vez que me dá uma daquelas fúrias em prol do minimalismo.
Não cresci com este espírito - na minha casa sempre houve muito de tudo (até televisões, uma em cada divisão), as compras eram feitas aos dois carrinhos cheios de cada vez e as refeições fora eram frequentes.
Foi quando saí de casa que aprendi que o Lidl é nosso amigo, que os detergentes podem ser de marca branca (há vida além do Cif, miúdos) e que uma televisão chega perfeitamente.
[Foi também nessa altura que descobri que as casas em Lisboa são frias como raio, ou pelo menos as casas sem aquecimento central, coisa que sinto ter dado pouca importância quando tinha. Tomei por garantida, foi o que foi, e agora acabou-se, não há nada a fazer, deixem-me lá chorar um pouco. Já está.]
Hoje descobri esta peça, sobre os cortes que uma americana fez para poupar dinheiro. Desde deixar de arranjar as unhas fora de casa, a passar a cozinhar, a lista é grande e completamente fora da nossa (ou da minha) realidade. Se eu tivesse de poupar (ainda) mais, não saberia por onde começar mas não era certamente nos Uber - ando a pé.
Pode ser por aqui?

Marquês da Fronteira - toda a verdade

Agora que já passou algum tempo da sua morte posso revelar esta desconfiança que me moía desde os tempos de "Travessa do Cotovelo" na RTP2: Fernando Mascarenhas, Marquês da Fronteira, era uma senhora. E não é só por causa das maminhas mal escondidas e descaídas da primeira foto ou pela cara imberbe da segunda. É por essas duas coisas em conjunto.









terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Coca Cola verde


Adoçado com stevia, uma planta que diz que é um adoçante natural. Porque o pior da coca-cola é mesmo o açúcar (pausa para ri a bom rir). Para o ano, numa prateleira perto de si.

No Bairro do Amor

Há pessoas que não sabem estar quietas. Pessoas que fazem 30 coisas ao mesmo tempo, ajudam outros, têm família, trabalham, vão de fim de semana, e eu não percebo como é que isso se faz. Mas também não quero saber. Não planeio fazer 30 coisas ao mesmo tempo. Mas ainda bem que existem pessoas assim. Pessoas cujo primeiro impulso, aquele que sai sem pensar, é "vou ajudar". A Pólo Norte é uma dessas pessoas. Se alguém precisar, esta mulher, em três tempos, junta um batalhão de gente e muda a vida de alguém. Se a deixassem, ela era bem capaz de mudar o mundo, para melhor.
E deu mais um passo nessa direcção, a de fazer do mundo um lugar um bocadinho melhor. Para inaptos como eu no que toca à organização de coisas, é óptimo. A parte mais difícil está feita, agora é só ajudar o Bairro do Amor, sendo sócio ou voluntário. Tudo explicadinho aqui.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ainda estou a habituar-me a esta coisa de ter reuniões por tudo e por nada, de repetir as mesmas coisas 500 vezes, de perder imenso tempo fechada numa sala em vez de estar a fazer coisas, de ter demasiadas pessoas envolvidas num só projecto, demasiadas opiniões, demasiados inputs.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Star Wars

Sou tão nerd que quando vi o teaser do episódio VII da Guerra das Estrelas tive vontade de chorar de alegria.

O Livro da Selva

Depois do Mogli da Disney lido e relido, dos desenhos animados e da porcaria nova com bonecos foleiros que dá no canal Disney, estou a ler "O Livro da Selva", o verdadeiro. O Mogli é muito mais badass do que o que a Disney nos fez acreditar. Muito mais.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

À bifa dos cavalos

Cara Susan Clark, eu percebo que ver cavalinhos magrinhos à beira das estradas não seja agradável para quem vem de férias. Uma pessoa mete-se no avião para o Algarve e quer é praia, gente bonita e boa comida. Deus nos livre de ter de dar de caras com o mundo real e coisas desagradáveis como cavalos subnutridos, homens de manga cava ou filetes oleosos.
Mas Susan, sabe que neste momento temos muitas coisas em que pensar. Não sei se está a par mas aqui em Portugal não se ganha muito bem, há poucos empregos e os preços andam pela hora da morte. Mas adiante que não quero maçá-la com coisas da vida real, a Susan é turista e não tem nada que estar a par destas coisas, deixe-se estar descansada no seu apartamento com aquecimento central, dê-me só um bocadinho para ir buscar uma manta que aqui a electricidade está caríssima, o gás também e aquecimento central nem vê-lo.
Ora Susan, os cavalinhos que viu à beira da estrada (terão sido dois?três?) não são o espelho da forma como tratamos esses animais. Nós adoramos cavalos. Tanto que até os comemos, veja lá! Em não podendo mantê-los faz-se uns bifes e pronto. O bicho já não sofre e sempre se enchem umas barrigas que de estômago vazio ninguém trabalha. Não faça essa cara que a carne de cavalo é muito nutritiva, talvez possa experimentar da próxima vez que cá vier apanhar uns banhos de sol caso nos perdoe esta enorme falta, este gravíssimo erro turístico.
Vamos tratar de pedir a uns chefs que criem uns pratos bonitos, umas reinterpretações do bife de cavalo (qualquer coisa braseada em espuma de qualquer coisa) para que o seu prato seja o mais lindo do Algarve. Estamos combinadas?